Entre os meses de novembro e dezembro de 2025, o município de Rio Bonito do Iguaçu (PR) recebeu a Mobilização Cultural de Reconstrução Pós-Tornado, uma ação protagonizada pela Juventude Sem Terra do Paraná, e parte das iniciativas de solidariedade organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Paraná após o tornado que atingiu a região em 7 de novembro de 2025.
A mobilização utilizou o muralismo como ferramenta de expressão artística, reconstrução simbólica, fortalecimento dos vínculos comunitários e reafirmação da cultura como dimensão central nos processos de permanência no território.

As obras foram concebidas de forma coletiva, a partir da escuta das famílias atingidas, e executadas por jovens acampados e assentados do MST de diversas regiões do Paraná. Foto: Arquivo
A iniciativa contou com a atuação do Comitê de Cultura do Paraná, que contribui para a criação das condições materiais necessárias à realização das atividades, garantindo insumos, apoio logístico e estrutura, possibilitando o desenvolvimento dos murais em diálogo com as comunidades impactadas. A mobilização envolveu a juventude e a população local, articulando a participação de jovens do campo e da cidade, famílias atingidas pela catástrofe e apoiadores da região.

Reunião com a agente territorial de Laranjeiras do Sul, Liliane Penteado, e com o representante do Ponto de Cultura do Sudoeste e Centro do Paraná, Ricardo Callegari, para discutir as ações culturais em Rio Bonito do Iguaçu (PR). Foto: Arquivo
As obras foram concebidas de forma coletiva, a partir da escuta das famílias atingidas, e executadas por jovens acampados e assentados do MST de diversas regiões do Paraná, com participação da juventude local e apoio da juventude do Rio Grande do Sul, que se somou à brigada de solidariedade. Os murais transformaram muros antes marcados pela destruição e pelo luto em espaços de memória, cor e esperança, reafirmando o protagonismo juvenil e a cultura como ferramenta de reconstrução social.
O primeiro mural foi finalizado na área urbana de Rio Bonito do Iguaçu e marcou simbolicamente o início da frente de muralismo no município. A obra, que traz a imagem de mãos dadas, simboliza a solidariedade, a igualdade e a união coletiva no processo de reconstrução. O mural foi realizado em uma residência que também foi uma das primeiras a ter o telhado reconstruído pela equipe de infraestrutura do MST, evidenciando a articulação entre a reconstrução material e o cuidado com as memórias e a subjetividade das famílias atingidas.

A articulação entre a reconstrução material e o cuidado com as memórias e a subjetividade das famílias atingidas foi o que guiou as ações de muralismo em Rio Bonito do Iguaçu. Foto: Arquivo
A mobilização cultural ocorreu de forma integrada às ações da Brigada de Solidariedade, que desde os primeiros dias após o tornado atuou na limpeza de ruas e terrenos, reconstrução de estruturas e produção de marmitas.
O segundo mural foi realizado em uma escola do campo no Assentamento Marcos Freire, também diretamente atingida pelo tornado. O local tem forte significado para a comunidade, já que estudantes, professores e famílias vivenciaram diretamente os impactos da catástrofe. A intervenção artística reafirmou a escola como espaço de resistência, cuidado coletivo e construção de futuro, fortalecendo os laços comunitários e o direito à permanência no território.

Juventude Sem Terra na finalização do mural na escola do campo, no Assentamento Marcos Freire, em Rio Bonito do Iguaçu (PR). Foto: Arquivo
A perspectiva da frente de muralismo é dar continuidade às ações no município em 2026, com novos murais sendo pensados coletivamente junto às famílias atingidas. A mobilização reafirma o papel articulador do Comitê de Cultura do Paraná, o protagonismo da juventude organizada e a cultura como dimensão estratégica nos processos de reconstrução, solidariedade e construção do poder popular.