A força dos tambores ecoou junto à mobilização das mulheres do campo durante o Encontro Estadual das Mulheres Sem Terra do Paraná, realizado nos dias 9 e 10 de março, em Rio Bonito do Iguaçu. Como parte da programação, o Comitê de Cultura do Paraná promoveu uma formação e ação sociocultural com as batuqueiras do Maracatu Baque Mulher Curitiba, reunindo mulheres Sem Terra em uma vivência marcada pela troca de saberes, musicalidade e organização coletiva.
A atividade aconteceu no dia 9 de março e integrou a programação do encontro, organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST-PR). Mais do que uma apresentação cultural, a proposta foi construir um espaço de formação a partir da tradição do maracatu, fortalecendo a cultura popular como ferramenta de resistência, identidade e protagonismo das mulheres.
Durante a vivência, as participantes puderam experimentar os instrumentos, aprender sobre a história do maracatu e compartilhar experiências de organização nos territórios. O encontro entre as batuqueiras e as mulheres Sem Terra reforçou o papel da cultura como elemento central nos processos de luta social. Como destacado pelas próprias integrantes do grupo, a arte também é instrumento de luta, capaz de mobilizar, conscientizar e fortalecer vínculos coletivos.
O encontro entre as batuqueiras e as mulheres Sem Terra reforçou o papel da cultura como elemento central nos processos de luta social. Foto: Diangela Menegazzi
Jornada de luta, solidariedade e reconstrução
A ação cultural integrou o Encontro Estadual das Mulheres Sem Terra, realizado dentro da Jornada Nacional de Lutas em alusão ao Dia Internacional das Mulheres. A atividade reuniu cerca de mil mulheres de diversas regiões do Paraná em uma programação que combinou formação política, mobilização social, cultura e ações de solidariedade.
A escolha de Rio Bonito do Iguaçu como sede do encontro está diretamente relacionada aos impactos dos tornados que atingiram a região em novembro de 2025. As comunidades rurais, incluindo assentamentos e acampamentos da Reforma Agrária, foram fortemente afetadas, com destruição de casas, lavouras e áreas de vegetação.
Diante desse cenário, a jornada teve também um caráter de apoio às famílias atingidas. No dia 9 de março, as mulheres realizaram uma marcha pela cidade, seminários sobre crise ambiental e agroecologia, além da distribuição de 3 mil cestas de alimentos e mudas para a população local.
Já no dia 10, as ações se voltaram diretamente aos territórios impactados, com mutirões de plantio que somaram cerca de 10 mil mudas de árvores em áreas degradadas, incluindo comunidades como Herdeiros da Terra de 1º de Maio, o Acampamento Antônio Conrado e o Assentamento Nova Geração, em Guarapuava.

Distribuição de 3 mil cestas de alimentos e mudas para a população de Rio Bonito do Iguaçu. Foto: Diangela Menegazzi
Cultura como ferramenta de transformação
Ao promover a atividade com o maracatu dentro do encontro, o Comitê de Cultura do Paraná reafirma o papel da cultura popular como dimensão fundamental da luta social. A presença das batuqueiras do Baque Mulher Curitiba evidenciou que a arte não está separada da organização política — pelo contrário, é parte ativa na construção de sujeitos coletivos, na afirmação das identidades e no fortalecimento das mulheres.
Entre marchas, debates, plantios e ações de solidariedade, o encontro mostrou que a luta pela Reforma Agrária Popular também se faz com cultura, memória e expressão. Nos tambores, nas vozes e nos corpos em movimento, as mulheres reafirmaram que organizar, resistir e transformar também é fazer cultura.

A presença das batuqueiras do Baque Mulher Curitiba evidenciou que a arte é parte ativa na construção de sujeitos coletivos, na afirmação das identidades e no fortalecimento das mulheres. Foto: Diangela Menegazzi