“O que a gente quer não é fazer um projeto apenas por fazer um projeto. A gente quer ter um impacto positivo na vida de uma comunidade.” A frase foi usada por Vinícius Costa, bolsista de Desenho de Políticas Públicas do Laboratório de Cultura Digital da UFPR, na quinta-feira, 07, para definir o que é um projeto cultural alinhado ao conceito desenvolvimento equilibrado e duradouro.
A oficina “Ecologia política e projetos culturais sustentáveis”, ministrada por ele em parceria com o coordenador metodológico do Comitê de Cultura do Paraná, João Terra, aconteceu dentro da programação da 22ª Jornada de Agroecologia, no Centro Politécnico da Universidade Federal.
O que, no entanto, faz um projeto ser cultural ser sustentável? De acordo com Vinícius, ele precisa estar apoiado num tripé formado por justiça social, preservação do meio ambiente e avanço econômico.
“Na hora de construir uma equipe, por exemplo, nossa tendência é trazer pessoas que já conhecemos e também acumular cargos. A mesma pessoa é a proponente, a diretora, a responsável pela prestação de contas, várias funções ao mesmo tempo. E se precisar de alguém pra fazer a cobertura fotográfica, chama a irmã. Isso faz com que o projeto não distribua renda pra comunidade.”
Para o palestrante, uma boa maneira de elaborar uma proposta alinhada à causa é aderir a alguns dos “17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU”, adotados em 2016 como parte de um plano global para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir paz e prosperidade. Veja mais aqui: https://bit.ly/4fpXCxQ
Um exemplo de projeto cultural sustentável mencionado durante o curso prático foi o Festival Coolritiba, o primeiro a fornecer água potável gratuitamente para o público, além de promover o descarte consciente, a redução do uso de plásticos e contar na escalação com artistas e estilistas que são também ativistas sociais.
Outro evento citado foi a SBPC Cultural na UFPR, de 2023, feira de economia popular solidária encampada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
Uma boa indicação é ainda a intervenção artística ecológica “Cadê o passarinho que estava aqui?”, do estado de São Paulo, que inclui mutirão de coleta de lixo em manguezais, oficina de escultura de pássaros a partir do material coletado e exposição final das obras.
Além de ajudar a promover um futuro melhor, um projeto cultural sustentável dá ao proponente um ganho extra: maior chance de aprovação. “Na hora da avaliação, conta pontos o quesito ‘perenidade’, que é a chance de um projeto continuar existindo mesmo depois de não ser mais financiado com dinheiro público. E a sustentabilidade pode auxiliar nesse quesito”, explicou João Terra.
“Sustentabilidade é atender às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras atenderem às suas necessidades”, completou Vinícius, fazendo referência ao conceito estabelecido pelo Relatório Brundtland da ONU, em 1987.
Crédito da foto: Diângela Menegazzi.